Ser Caminheiro é... querer ir sempre mais além...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Trabalho em Grupo


A equipa é um grupo de homens unidos por um laço orgânico, isto é, pelo serviço duma obra ou duma causa comum, à qual testemunham igual dedicação e cujo esforço por ela exigido repartem segundo os dons, a capacidade ou os meios de cada um sem interesse de competição, rivalidade ou intrigas, ligados pelo resultado comum, não pelo êxito desta ou daquela aventura particular. Foi esta a fórmula de todas as grandes empresas que fizeram as civilizações humanas.
Para que um grupo possa realizar obra fecunda, é necessário que haja harmonia dos espíritos e das vontades. Não se trata de cada um praticar as mesmas acções, mas basta que as acções de um não estorvem as acções do outro. Pretende-se que este, em sua função, facilite a tarefa do seu vizinho.
Para isso, torna-se necessário que cada um siga ao menos de soslaio a actividade dos outros, ainda que seja apenas para por ela ajustar e sincronizar a sua. Para isso, é indispensável também que cada indivíduo saiba esquecer-se de si mesmo e não parta como flecha, com o risco de ocasionar uma ruptura de equilíbrio. O trabalho em grupo supõe plena confiança entre os diversos elementos desse grupo: confiança nas suas atitudes. Não há nada mais perigoso para a unidade e eficiência dum grupo do que as críticas sistemáticas dum eterno descontente.
Assim como a crítica é tonificante quando, embora viva na sua forma, é benevolente e construtiva no seu fundo, assim se torna dissolvente, quando, embora suave na sua expressão, é negativa e cortada de azedume.
A primeira lei do grupo é o auxílio fraterno, ao serviço da missão desse mesmo grupo. Compreensão, coordenação, cordialidade são as três virtudes principais que cada chefe de grupo deve praticar com interesse, se não quer que a sua equipa seja surpreendida pela morte.
O esforço de compreensão mútua supõe:
1.° que se tente compreender os outros;
2.° que se tente fazer compreender dos outros; Um chefe não brinca nunca à "incompreensão".
Basta por vezes uma explicação leal e confiante para dissipar equívocos e colocar as coisas no seu devido pé. As almas encontram-se na verdade. Convém a todo o custo fugir das discussões violentas e daquelas palavras irreparáveis que são a marca duma alma que perdeu o domínio de si mesma. Entre homens de boa vontade, é sempre possível que se prestem explicações, talvez com certa vivacidade, mas sem quebra da estima e do respeito. Muitas vezes, quando nos colocamos no lugar do nosso colega, compreendemos melhor a sua posição e encontramos do mesmo modo melhores argumentos para a defender, se realmente é defensável.
A cordialidade e o bom humor constituem a atmosfera ideal para uma equipa, e cada um tem o dever de para isso contribuir. Preocupemo-nos com o nosso progresso moral, ou, para falar em termos mais usuais e mais práticos, com o aperfeiçoamento do nosso carácter e evitemos aqueles amuos pueris, que para servir um interesse pessoal, semeiam a divisão, sobretudo quando tanta necessidade temos de ser unidos.
Quando a colaboração não é franca, a obra ressente-se. O espírito de grupo fica estagnado ou destruído, quando os homens não acreditam na tarefa comum, quando cada elemento só dá o seu acordo àquilo que lhe agrada ou que está conforme ao seu parecer, quando o amor-próprio se torna lei dos esforços e quando cessa a estima ou a confiança recíproca que alimentam, sejam quais forem os incidentes, a certeza duma dedicação comum superior às falências passageiras. Trabalhar em grupo é inserir-se num movimento e não meter o movimento no seu bolso.
Construir um grupo é renunciar a si próprio em vista do bem comum, realizado numa ajuda comum. Daí resultam, por um lado, sacrifícios, esforços em favor de outrem e discrição das ocupações anónimas; mas, por outro lado, muitas alegrias puras, entusiasmo colectivo e a plenitude duma acção concertada.
Escrito por Aldeia.net